A mudança
Ao chegar
de uma missão no dia 6 de Junho de 2011, a DG é chamada ao gabinete do MECF, em
presença do Senhor Director de Gabinete do MECF. O MECF pergunta à DG como
correu a missão. Esta responde-lhe que tinha corrido muito bem. Tendo sido
portadora de uma missiva dirigida ao MECF, entrega-a. O MECF lê-a. De seguida o
MECF entrega à DG um despacho conjunto
assinado pelo Senhor Primeiro Ministro (PM) e pelo próprio MECF, dando por
finda a sua Comissão de Serviço.
A DG, não
foi ouvida por alguém, nem sequer foi-lhe concedido um único dia para poder fazer a passagem
dos dossiers.
O MECF
disse-lhe, em termos gerais que era uma excelente funcionária, que no plano
profissional não tinha razões de queixa mas não podiam ocupar o mesmo espaço
porque a DG era incapaz de se relacionar com quem quer que fosse. Noutros
termos o MECF disse que a DG cumprira todas as metas para as quais fora
indigitada, mas que “não se relacionava com as pessoas”, era um “fator de
desunião”. Para sustentar essa afirmação disse que a DG era a “causa do
despedimento do Senhor Director da Casa da Cultura”; acrescentou que “apenas
trabalhava e não falava com os outros”e que “não se dava bem com funcionário
algum”.
Continuando
o rol das “incriminações” o MECF fez referência à mensagem que lhe fora enviada
pela DG na terça-feira, 31 de Maio de
2011. O Senhor Ministro não parecia incomodado com o conteúdo da dita, mas sim
com o fato de esta ter sido enviada em cópia para a Senhora Secretária Geral do
Ministério da Educação Cultura e Formação e para o Senhor Director de Gabinete,
do MECF.
Ora, a
partir de 23 de Fevereiro do ano em curso, uma das supracitadas entidades
estava invariavelmente presente a cada vez que a DG tivesse que se reunir com o
Senhor MECF. A leitura dessa atitude recorrente faz pensar que existe
confiança. Em sociologia a confiança não é somente um elemento psicológico dos
agentes é um processo inerente à reprodução e à constituição das sociedades,
jogando um papel importante na sedimentação da ação coletiva. Assim sendo, o
fato da Secretária Geral e do Diretor de Gabinete, estarem invariávelmente
presentes nas reuniões de trabalho da DG com o MECF, significa que estes quatro indíviduos estavam engajados num
mesmo processo consolidado pelos laços de interacção criados. Nesta ordem de
ideias, todos faziam parte do mesmo
grupo social e por isto, partilhavam os mesmos valores. Acresce ao fato que as
mensagens de trabalho com cópia para a Secretária Geral terem passado a ser rotineiras desde finais de Fevereiro.
De fato
no dia 27 de Maio de 2011, em presença do Director de Gabinete, o Sr. Ministro
da Educação e Cultura fez referência a um e-mail que esta havia enviado no
principio do mesmo mês de Maio a propósito do festival Gravana, com cópia para
a Secretária Geral e para a Senhora Directora do Turismo e esposa do Senhor
Ministro MECF. O Senhor Ministro disse na altura que assuntos de Estado não
deveriam ser enviados a pessoas estranhas aos serviços. Pelo que depreendi que
a única pessoa estranha ao Ministério da Educação Cultura e Formação seria a Senhora Directora Geral do Turismo que
curiosamente fazia parte da comissão organizadora, bem como o filho do o actual Secretário Geral da Comissão Nacional
para a UNESCO, (COMNAT)
O MECF
mostrou-se indignado pelo fato de a DG ter divulgado o conteúdo da mensagem,
para o exterior, coisa que a DG não fez. Apenas as duas personalidades do
Ministério supracitadas receberam a cópia da mensagem. Como é que essa cópia
foi parar aos media?
Referindo-me ao contéudo da
dita mensagem que continha 16 pontos, conforme cita o jornalista do Téla-Non,
justificando as razões da tomada de posição da ex-DG, o Senhor Ministro apenas
se interessou pelos pontos em que se lia “estarei aí na
sexta-feira para resolver a questão” e mais adiante “informarei ao Senhor
Reginaldo D’Alva – então técnico da
Direção Geral da Cultura (DGC) -para que suspenda todas actividades a realizar
com o Sr. Major”. Ao que o Sr Ministro,
visivelmente perturbado e num tom irreconhecivel, perguntou: “afinal quem manda aqui eu ou você, quem é o
Ministro?” A fazer juz a essa reação do Senhor Ministro regista-se um problema
de autoridade.
Ora, é évidente que a divisão
social do trabalho é fundamental, para o bom termo das tarefas em qualquer
organização. Ela permite a regulamentação do trabalho, facilitando os intercâmbios com os
outros e agilizando a resolução dos
problemas dentro e fora da organização.
No Téla-Non lê-se “a
polémica segundo fonte governamental arrebentou quando a DG pediu explicações
ao ministro atravès de uma carta, sobre a decisão de Olinto Daio em indigitar o
cidadão Ayres Major, para organizar os festejos da independencia nacional”
Pelo contrário, na mensagem dita
polémica, a DG justifica o fato de não achar benéfico que
pessoas alheias à DGC, estejam a imiscuir-se no trabalho dessa Direção. Com
efeito, a DG pedia um voto de confiança para a DGC e a sua jovem equipa, que
vinham fazendo um trabalho de terreno, destinado a compreender a importância de
cada grupo cultural nas suas respectivas
comunidades. Considerava este ser igualmente um fator influente na escolha dos
grupos para o desfile na Praça da Independência. A DG pretendia igualmente
alertar para o fato de que não basta mudar as chefias para que haja mudanças.
Noutros termos não basta mudar de
Director Geral da Cultura para que se verifiquem mudanças na Direção Geral da
Cultura.
Note-se que o Senhor Major,
referenciado no supracitado artigo, funcionário reformado da DGC foi durante
cerca de 18 anos Assessor da Diretora Geral da Cultura que precedeu Iolanda
Aguiar e é o actual Secretário Geral da Comissão Nacional para a UNESCO,
(COMNAT). No dia 31 de Dezembro de 2011, este, havia informado à então DG que
pretendia demitir-se. Arguiu que precisava de deslocar-se a Portugal por
motivos de saúde. Por isso, afastou-se
de livre e espontânea vontade da DGC, na altura da preparação das festividades
do 3 de Fevereiro que, curiosamente, coincidiu com a doença de vários
funcionários,... quiçá uma epidemia
coletiva de mau presságio na DGC que, felizmente, serviu para confirmar a
competência da DG e da sua equipa.
continua...