Silêncio
"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu (...) tempo de estar calado e tempo de falar" (Eclesiastes,3:1-7)
segunda-feira, 8 de julho de 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
sábado, 3 de setembro de 2011
A CAÇA ÀS BRUXAS : Como os rumores fabricam os « bodes expiatórios»(VI)
Breves considerações sobre a Cultura
A visão
da cultura, da DG, ia forçosamente, ao
encontro da estratégia defenida pelo MECF, cujo objectivo é reforçar a
identidade de STP. Basicamente é
necessário que se compreenda que “a crise na cultura” não está na manifestação
dos músicos, nem no despedimento de A ou B.
Para se
encontrar soluções para a crise da cultura é
necessario primeiro comprender-se dois pontos: O primeiro prende-se com o facto de não existirem culturas
estanques, fixas no tempo e no espaço.
A cultura é um processo que se constroi
nas interações entre o local e o global.
Assim sendo o desafio que se coloca é de
encontrar o justo equilibrio entre a presevação do tradicional
e a incorporação de inovações.
O segundo
prende-se com as politicas culturais adoptadas em São Tomé e Principe. Estas, embora, supostamente, relacionadas com
as transformações políticas e económicas ocorridas ao longo da historia da
jovem República, não foram capazes de as acompanhar. O desafio está pois na compreensão
deste paradoxo e na consequente proposição de
soluções.
As
mudanças políticas e económicas nas ilhas, caracterizam-se pela adopção de uma estratégia neo-liberal
marcada pela passagem da fase socialista
à fase neo-liberal.
Na
primeira República, fase socialista, a influência do Estado na cultura, centrava-se numa tutela forte da criação artistica, orientada
para uma intenção ideologica e propangadista. A título de exemplo eram postos à
disposição dos grupos culturais e do povo em geral transportes que os levavam às praças da cidade, em datas
festivas, como o 1° de Maio, dia internacional do trabalhador e o 30 de
Setembro, dia da reforma agrária. O Estado colocava, assim, à disposição dos
artistas, meios generosos, (roupas, instrumentos), para a sua produção. Em suma a politíca cultural
baseava-se numa intervenção forte do Estado.
Ora na
segunda Republica, a estratégia adoptada pelos politícos são-tomenses baseava-se nos remédios
neo-liberais tradicionais, redução da participação estatal na actividade
económica e a privatização. Enquanto a concepção da cultura assenta num
caracter politico - ideologico, a política cultural adoptada é relacionada com
o projecto de Estado-Nação. Trata-se da ideia segundo a qual compete ao Estado
proteger a cultura como forma de salvaguarda da própria identidade cultural. O
que constitui, de resto, uma função vital do próprio Estado, pois a sua
concepção funda-se na ideia da nação como identidade colectiva. Basta para isto
olhar para os últimos programas do governo
constitucional da República de STP.
Contrariamente
a outros sectores da economia onde há ganhos de produtividade, em relação à
cultura, essa possibilidade é limitada. Não sendo, assim, possível pensar em
ganhos de produtividade, a prazo, sem a introdução de subsidios que levariam ao engrandecimento do sector. Em
STP, ao mesmo tempo que se introduzem medidas de reajustamento económico assiste-se ao agudizar da dependência do país
à ajuda externa, ajuda essa, inicialmente específica e dirigida a projetos de cariz económico e social. Daí que
as dificuldades de se proceder à ajuda pública para a cultura serem
iminentes. Aí reside o paradoxo. Logo,
instala-se a necessidade de se procurar fontes de financiamento alternativas
para a cultura, nem sempre evidentes para os governantes, pois continuava-se a
insistir numa visão politico-ideológica da cultura.
O desafio
imposto pela própria noção de cultura,
pelas condições históricas que nortearam as politicas culturais até
então e pelo imaginário politico cultural, centra-se na mudança de mentalidades
dos “fazedores de cultura” que colocam os interesses individuas acima dos
interesses colectivos, e, na invenção de
uma nova política cultural e uma nova cultura política. Para isto, os
orgãos de comunicação social jogam um papel importante, através da
intensificação de uma informação limpa e
objectiva.
A relação entre a “cultura” e a “comunicação social” é , nos nossos dias,
incontestável. Pois, algumas das
transformações culturais importantes resultam,
das mutações nas redes tecnológicas da comunicação. Estas, afectam a
percepção das culturas locais, da sua propria existência, e do seu papel na construção das identidades, via
construção do espaço virtual. A responsabilidade do jornalista, torna-se, assim, acrescida
atravès do papel embrionário na construção de um novo espaço público e de uma
nova cidadania, pela mobilzação de um grande numero de actores sociais.
Durante
estes sete meses pretendeu-se
básicamente mostrar que com preserverança, dedicação e força de vontade é possivel fazer-se
muito... muito ficou por fazer... um exemplo interessante é que constatou-se
que os defensores da tradição pura e dura, enviam sempre que podem os seus filhos para passarem
as férias em Portugal. Poucos destes jovens conhecem a ilha do Principe. Em
colaboração com uma Organização internacional pretendiamos organizar uma
colónia de férias na ilha do Principe. Por fazer ficaram igualmente uma série
de projetos para o museu, entre os quais a recuperação do próprio edificio...
ficaram ainda por fazer todos os projetos em torno do patrimonio fisico,
natural e intangivel e a ausência do Téla-Non na divulgação dos embriões das
reais mudanças ...
-Fim-
A CAÇA ÀS BRUXAS : Como os rumores fabricam os « bodes expiatórios»(V)
Actividades realizadas pela DGC
Certo os
músicos manifestaram-se no dia 9 de Maio de 2011. Entretanto, em alusão ao Dia
Internacional dos Museus - 18 de Maio
- sob o lema “Museus e memória”, entre
os dias 14 e 18 de Maio de 2011, uma série de actividades teve lugar: actuaram
cerca de 10 grupos culturais, com maior
incidência para as práticas em extinção
como o Plomon Déçu; jogo de cacete,
Quinà; Ússua, entre outras.
A banda militar, interpretou um troço de música clássica em homenagem ao compositor São-tomense Viana da Mota. Cinco conferências tiveram lugar, com base nas diferentes salas do museu: arte sacra e memória, ministrada pelo Sr. Padre Miguel, Música e memória ministrada por três gerações de músicos: Zé Aragão; Antonio Leite e Juvenal Rodrigues filho (ao qual assistiram alguns dos músicos que manifestaram-se contra a DG. Esta conferência foi tão bem sucedida que continuou no dia seguinte); Roças e memórias: STP, plantas e povos origens e consequências, por Iolanda Aguiar e Museus e memórias ministrada por antigos e actuais funcionários do Museu Nacional;
nomedamente Armindo Aguiar ex- Director Geral da Cultura; Cerineu de
Barros o mais antigo funcionário do museu e Djajingo Neto, técnico de
conservação. Note-se que pela primeira vez neste género de eventos os
conferencistas receberam um subsidio, sob forma de estimulo ao trabalho
intelectual. Para além disto houve visitas guiadas para os alunos de 4 escolas
primárias com particular incidência para duas escolas longínquas: Roça Anselmo
Andrade e Capela.
Os alunos tiveram a oportunidade de participar nas oficinas
de som, onde um sobrevivente do massacre de 1953 os ensinara a fabricar e
tocar instrumentos de corda, tocar
flautas e instrumentos de percursão. Todas estas ações foram realizadas com
fundos extra – Orçamento Geral do Estado, angariados pela DG. As conferências
foram tão ricas que se pretendia fazer
uma publicação. Portanto, não deixa de ser estranho que se refira ainda à equipa da DG como inexperiente e incapaz de
organizar o desfile do 12 de Julho. Aliàs, dá-se ao grande público a
possibilidade de comparar a organização
do desfile feito pela DGC na cerimonia oficial do 12 de Julho e a
cerimonia oficial do 3 de Fevereiro. Para além da Cerimónia oficial a DG
dirigindo uma equipa de jovens voluntários, pela primeira vez
4 de
Janeiro de 2011 a sala do museu repleta esteve, (houve pessoas assentadas nas
escadas), para assistirem à conferencia sobre Rei Amador,
proferida por três
jovens recém formados, em Cuba (dois sociólogos e um jurista), sob orientação
da então DG. Uma inovação foi
introduzida, pela primeira vez em STP, brindou-se com um vinho da Palma de Honra, em substituição do tradicional
Porto de Honra, herança colonial.
Serviu-se, com todo o cerimonial, um Vinho da Palma doce, da Região de Batepá acompanhado de produtos nacionais, como a cola e o gengibre, para degustação. Nem uma referência no jornal da “nossa terra” (Téla-Non).
Serviu-se, com todo o cerimonial, um Vinho da Palma doce, da Região de Batepá acompanhado de produtos nacionais, como a cola e o gengibre, para degustação. Nem uma referência no jornal da “nossa terra” (Téla-Non).
26 de
Novembro de 2010 dia aniversário do Acordo de Argel, a Casa da Cultura abriu as
suas portas para um sarau cultural sui
géneris, apresentado pela jornalista São Deus Lima, com concurso alusivo ao dito
acordo e oferta de livros. Nada no Téla-Non.
Relativamente
ao Museu Nacional, importa assinalar que desde Janeiro de 2011 vinha conhecendo
um aumento gradual do número de visitas.
Assim, em periodos iguais deste e do ano passado, as entradas evoluiram
da seguinte forma:
Janeiro – Maio de 2010 : 560 nacionais e 634
estrangeiros;
Janeiro –
Maio de 2011: 1477 nacionais e 782 estrangeiros.
Durante
os 5 dias relativos às comemorações do Dia Internacional dos Museus, fato
inédito no país, a média de visitantes por dia foi de 103,6 pessoas. Note-se que a média anual no ano transato foi
de 7,1 pessoas por dia.
No que concerne ao reforço institucional
da DGC, três jovens técnicos foram contratados.
Sendo uma jovem licenciada em Direito, para se ocupar da propriedade
intelectual (literária e artística); um jovem sociólogo que se ocuparia de
questões relacionadas com o património e um jovem gestor e músico para reforçar
o já existente departamento de promoção artística.
No plano
internacional a partcipação da DG foi marcante, com apenas duas missões, uma em
Dezembro de 2010 e outra em finais de Maio de 2011. Ao regressar da missão a
Porto Novo, Benin, a DG foi portadora de uma carta parabenizando o Senhor MECF, entre outros
fatos, pela distinta prestação da DG. Em
relação à primeira missão outras proposições importantes de trabalho são de
assinalar. Verbas tiveram que ser
devolvidas... e outras perdidas... pela interrupção abrupta dos
projetos.
As obras
realizadas neste curto espaço de tempo falam por si... mas para mim o mais
gratificante foi ter instituido as tardes de reflexão, lugar onde os jovens quadros estudavam os dossiers e
partilhavam as experiências adquiridas em missões ao exterior.
Nada
disto foi referenciado no Téla-Non... Utilizar o potencial
crítico da experiência estética para iluminar as verdades comunicativas, seria uma ajuda indeniável para melhor poder cumprir com
o seu trabalho... Uma analise imparcial e mais profunda teria um papel de
proeminente relevância para a preservação, valorização e divulgação do
patrimonio cultural sob todas as suas vertentes.
continua...
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A CAÇA ÀS BRUXAS : Como os rumores fabricam os « bodes expiatórios»(IV)
A palavra
No continente africano a “palavra” é utilizada para estabelecer consensos. Existe por exemplo “l’arbre à palabre”, (árvore da palavra), na África Central e a “B’andhla” em Moçambique. As pessoas sentam-se debaixo de uma árvore para discutirem assuntos relacionados com a vida da “comunidade” até chegarem a consenso. Os nossos anciãos dizem que em Sao Tomé algo semelhante ocorria no passado. A palavra não era utilizada para fazer intrigas e semear a discordia mas para buscar um consenso nas e entre as famílias. Hoje, a “palavra” está ausente da nossa esfera pública e nos circulos políticos ela é negada a quem de direito. A “palavra” deixa de ser o lugar do politico para ser substituida pela intriga e o consequente linchamento do indíviduo, construindo o caminho para “a caça às bruxas”.
No continente africano a “palavra” é utilizada para estabelecer consensos. Existe por exemplo “l’arbre à palabre”, (árvore da palavra), na África Central e a “B’andhla” em Moçambique. As pessoas sentam-se debaixo de uma árvore para discutirem assuntos relacionados com a vida da “comunidade” até chegarem a consenso. Os nossos anciãos dizem que em Sao Tomé algo semelhante ocorria no passado. A palavra não era utilizada para fazer intrigas e semear a discordia mas para buscar um consenso nas e entre as famílias. Hoje, a “palavra” está ausente da nossa esfera pública e nos circulos políticos ela é negada a quem de direito. A “palavra” deixa de ser o lugar do politico para ser substituida pela intriga e o consequente linchamento do indíviduo, construindo o caminho para “a caça às bruxas”.
A
DG, foi ouvida por ninguém. Nem membros
do governo nem o jornalista a interpelaram. Os fatos levam a crer que as
autoridades têm muitas dificuldades em ouvir e auscultar opiniões.
Confiam demasiado no cálculo político e, por vezes, esquecem que a sua missão
primária não é fazer o cidadão feliz com as suas próprias realizações, mas sim
garantir as condições da nossa liberdade.
E esta passa pelo nosso direito à razão. Entenda-se aqui, o
direito à razão, como um direito fundamental, que para além da capacidade de discutir segundo as regras da
lógica, constitui um reconhecimento da minha própria pessoa como ponto de
partida de uma opinião – que resulta da minha reflexão – mas também reconhece a
existência de outros como possíveis pontos de partida de outras opiniões também
fruto de reflexão. São o resultado dos espaços de formação de opinião que nos
identifica ao mesmo tempo que nos obriga a reconhecer os outros.
O
jornalista do Télanon ao apregoar a inutilidade de uma atitude crítica e do
diálogo, não está a ser analiticamente perspicaz. Deixando assim transparecer
uma falha no desempenho do seu papel.
Continua
...
A CAÇA ÀS BRUXAS : Como os rumores fabricam os « bodes expiatórios» (III)
O mito da “família”
O
jornalista refére-se varias vezes ao fato da DG ser prima do PM. Trata-se de
uma conclusão fatual. Verdadeira. A
questão que se coloca é de saber qual a relação entre este fato e a demissão da
DG? Sera que a DG foi demitida por ser prima do PM?
A vida
familiar em STP, conheceu depois de três decadas uma transformação, que a
sociedade insiste em não querer ver, persistindo sobre o falso paradigma dos
“laços sanguineos”, como evidência o jornalista do Téla-Non.
Sem negar
a importância dos fatos, para compreender a evolução recente da estrutura famíliar
em STP, é bom saber que a sua sistemática evocação, contribui para escamutear
processos sociais mais amplos e
determinantes na estruturação da vida famíliar e consequentemente da
sociedade. É o caso do papel jogado pelo partido único, numa primeira fase, na
recomposição das famílias sãotomenses e, numa segunda fase, o papel dos
partidos políticos no significado mesmo da noção de família.
O governo
atual, por albergar no seu seio alguns
“indepentendes”, através da sua ação de
assistência e de regulação, está construindo a sua propria família. Os partidos
políticos através da sua ação constituem uma família em sentido lato.
Por exemplo, os membros de um mesmo partido frequentam os mesmos espaços
públicos e privados. É pois comum partilharem momentos importantes em torno de
uma refeição ou de uma bebida, conhecerem a família restrita de uns e de outros
com quem têm afinidades. Ora, no que toca a Iolanda Trovoada Aguiar, isso não
se aplica, pois, em relação a Patrice Trovoada, esse tipo de laços não existe. Iolanda não conhece
a casa de Patrice Trovoada, não convive com a sua família em sentido
restrito... Acresce ao fato de ter sido convidada para assumir as funções de DG
pelas mãos de alguém fora da família política, família restrita, (marido, esposa
e filhos), ou da família em sentido lato, (avós, pais, irmãos, tios, primos,
sobrinhos, etc.), do Senhor PM, Patrice Trovoada.
Por outro
lado, aquele que desempenhou as funções de Assessor da DG, (embora, mais tarde,
tivesse preferido as funções de Director do Centro de Investigação Social, o
que não tem mal algum), também seu primo é. Partilhamos momentos importantes no
seio da familia: nascimentos, aniversarios, funerais... Continuando a saga
familiar...o atual Coordenador Geral da Cultura, é igualmente primo da ex-DG... No seio do MECF outros primos por lá estão...
Note-se
que a sociedade são-tomense não foi formada com base na família no sentido
estrito de “filiação ou
parentesco”, mas sim no sentido de “propriedade”. As famílias construídas nos
terreiros das roças eram propriedades
dos grandes senhores latifundiários. O que não impedia que se construissem
famílias restritas consuante os interesses que estivessem em causa. A família
está no fundamento da sociedade em STP, não pelos laços de parentesco, mas por
relações de interesse e económicas.
Sendo o
MECF, um dos ditos independentes do XIV
governo constitucional, poder-se-ia levantar a hipótese, da sua necessidade de afirmação face ao PM,
promovendo o “linchamento simbólico” da
“Prima DG”.
Parafrazeando,
ainda, o jornalista do Téla-non quando escreve “...escorregou no tapete da
mudança e caiu”, poder-se-ia levantar,
ainda, uma segunda hipótese, a saber, o
afastamento da DG teria servido,
para desviar a atenção da família político-partidária do PM do seu tropeço no ” tapete da mudança”, ao pretender
candidatar-se a Presidente da Républica.
Talvez
por tudo isto o apelido da DG, - Trovoada – foi eliminado do seu nome completo,
no documento oficial - despacho conjunto, assinado pelo PM e MECF, pondo fim à
sua comissão de serviço.
continua...
continua...
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