quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A CAÇA ÀS BRUXAS : Como os rumores fabricam os « bodes expiatórios»


No dia 10 de Junho de 2011, o jornalista Abel Veiga , publicou um artigo no jornal digital Téla Non, intitulado “Crise no Ministério da Educação Cultura e Formação”. O artigo em questão refere-se à demissão da Directora Geral da Cultura, (adiante designada DG), das suas funções em carta assinada pelo Primeiro Ministro, (adiante designado PM) e pelo Ministro da Educação Cultura e Formação, (adiante designado MECF). Afirma ter sido o primeiro elemento da familia da mudança a cair do poder. Descreve a ex-DG como “personagem conflituosa e desrespeitadora”. Acusa-a de, através de uma carta, ter pedido explicações ao MECF pela sua tomada de decisão em relação às festividades alusivas à celebração da independência nacional. Tudo isto fazendo ressaltar no plano simbólico os laços de parentesco entre o PM e a DG. O objectivo foi designar um culpado a uma massa mediática, para um fenómeno que desconhecia... Entretanto torna-se difícil apreciar a plausibilidade dos argumentos apresentados, pois estes parecem ser motivados por juizos de valor e digamos, falta de informação para avalia-los.

A questão que aqui se coloca, é de saber se os fatos, utilizados pelas fontes de informação do Téla- Non são sólidos: como se justifica o juízo de valor sobre o despedimento precipitado da DG e porque se deve fazer o que deve ser feito. O que se pretende dizer aqui não é, por exemplo, que a DG não seja família do PM, mas que as fontes que informaram o Téla-Non e o próprio jornalista tiraram conclusões precipitadas. Prestam, consequentemente, um mau serviço à esfera pública.

Nestes termos, utilizando, de uma prerrogativa que me é acordada, enquanto cidadã deste país, permito-me utlizar o “direito de resposta”. Procurarei, pois, na medida do possível, pautar por uma atitude elegante, de elevada cultura de debate público, tentando policiar o meu instinto acusatório – “tipo só pode ser”...

Tentarei, por conseguinte, exercitar o meu espírito crítico interpelando o jornalista do Téla – Non a dois níveis principais que passo a apresentar, para depois tecer algumas considerações, sobre a minha visão da cultura, aquilo que gostaria de ter feito, aquilo que uma imprensa mais responsável pode contribuir para a cultura em STP e, mais especificamente, para a cultura politica..

Antes porém , leiam o “artigo” primeiro e vemo-nos mais abaixo:

A Directora Geral da Cultura Yolanda Aguiar foi demitida das funções através de um despacho conjunto assinado pelo primeiro-ministro Patrice Trovoada e o ministro da Educação Cultura e Formação. Yolanda Aguiar é o primeiro elemento da família da mudança a cair do poder.

O caldo entornou-se no Ministério da Educação Cultura e Formação, Yolanda Aguiar, prima do primeiro-ministro Patrice Trovoada nomeada Directora Geral da Cultura, em Outubro do ano passado escorregou no tapete da MUDANÇA e caiu.

A engenheira agrónoma que o Governo da Mudança nomeou como Directora da Cultura, travou nos últimos meses intenso conflito com o Ministro da Educação Cultura e Formação Olinto Daio. A polémica segundo fonte governamental, arrebentou quando a directora da cultura pediu explicações ao ministro através de uma carta, sobre a decisão de Olinto Daio em indigitar o cidadão Ayres Major, para organizar os festejos do dia da independência nacional, 12 Julho, no que concerne a participação dos grupos culturais no evento.

Olinto Daio não gostou, da missiva de 16 pontos, da Directora da Cultura Yolanda Aguiar, sobretudo numa das passagens em que a directora da cultura, faz referência ao slogan do Governo da Mudança. “Deixam-nos Trabalhar”. Yolanda Aguiar inspirada no Slogan pediu ao ministro que a “deixasse trabalhar “, sem sua superior interferência.

O Ministro Daio, não conseguiu digerir a situação, e decidiu pôr fim ao reinado breve e conflituoso da prima de Patrice Trovoada, na direcção da Cultura. O Téla Nón sabe que a direcção de Yolanda Aguiar já vinha sendo contestada pelos músicos, compositores, actores, interpretes e também pelos funcionários da direcção da cultura.

A fonte do Téla Nón explicou ainda que o Ministro da Cultura decidiu apostar no cidadão Ayres Major, para organizar os festejos da independência nacional, alegando inexperiência dos novos quadros da Direcção Geral da Cultura.

Por esta e outras razões, Patrice Trovoada primeiro-ministro e chefe do governo, decidiu aceitar a demissão proposta pelo ministro da Educação Cultura e Formação. O decreto governamental que demite a directora da cultura e que o Téla Nón teve acesso, é assinado pelo ministro Olinto Daio e pelo primo da Directora, o Primeiro-ministro Patrice Trovoada.

Sinal claro de que o Slogan do Governo, “deixam-nos trabalhar”, não deve ser motivo de chacota. Seja em caso de laços de sanguinidade, ou comungando a mesma coloração política, a regra é “falhou comeu”.



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