quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Caça às Bruxas: como os rumores fabricam bodes expiatorios (I)

Niveis de plausibilidade
O primeiro nível tem a ver com o problema da generalização grosseira, “O Téla-Non sabe que a Direcção de Iolanda Aguiar já vinha sendo contestada pelos músicos, compositores, actores interpretes e também pelos funcionários da Direcção Geral da Cultura”. O artigo em causa peca pela generalização. Sabe-se que a Direcção vinha sendo contestada pelos Funcionários da DGC, quais, quantos, todos? A titulo de exemplo, não se pretende dizer aqui que não tenha havido contestação por parte dos funcionários, mas que o Téla-Non generalizou o problema. Não se pretende, igualmente, dizer que não houve contestação dos músicos. Mas, interessa saber no universo dos músicos, quantos teriam contestado, foram todos os músicos? Estas perguntas teriam sido úteis e teriam obrigado o jornalista e suas fontes a veicularem informações fundamentadas.
Num segundo nível a informação para além de não fundamentada é extremamente insidosa. Envolve o problema da plausibilidade. Basta que todo o mundo creia ... para que ganhe o estatuto de verdade. Mas o que é plausível, não é necessáriamente correto. O argumento que o jornalista do Téla-Non apresentou, apoiando-se em fonte do governo, é na verdade extremamente falacioso, faz um apelo a uma circunstância piedosa para reclamar razão... “O Ministro da Cultura decidiu apostar no cidadão Ayres Major, para organizar os festejos da Indepêndencia Nacional, alegando inexperiência dos novos quadros na Direcção Geral da Cultura”. Neste caso específico trata-se da ideia que o cidadão em questão veio salvar a estrutura defeciente posta em prática pela então DG sob autoridade do próprio MECF. A mesma DG e a sua jovem equipa com créditos confirmados em diversas áreas, destacando-se a organização de eventos como o 26 de Novembro, (aniversário da assinatura do Acordo de Argel), o 3 de Fevereiro, (efeméride alusiva ao Massacre de Batepá) e o 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus, demosntrando assim serem sujeitos capazes!!!
O jornalista prossegue: “A engenheira agronoma... travou nos últimos meses intenso conflito com MECF (...) O Ministro decidiu pôr fim ao reinado breve e conflituoso (...)” Esta afirmação ganha a sua plausibilidade na base de dois truques de argumentação. O primeiro, a arte de atacar pessoalmente uma putativa autoridade e não suas qualidades. Isto é encetar ataques pessoais e não atacar o argumento. Se bem que os ataques pessoais não retirem o mérito do argumento quando muito revelam o caráter dos arguentes. O segundo, trata-se de veicular a ideia de que a DGC tem um carácter conflituoso, noutros termos a “DG é conflituosa e foi por isto que esteve apenas cerca de 7 meses à frente da DGC, o seu caracter impedi-a de interagir com os outros - insociável. O jornalista, com base nessa falsa premissa, insinua-se ao leitor, veiculando a ideia de que a DG é intratàvel.
Uma outra manifestação de plausibilidade tem a ver também com uma falácia, o argumento “ad populum”. Este consiste no apelo à opinião geral: todo o mundo sabe que... Pois todo o mundo (o Téla – Non, todos os músicos, os compositores, os actores, os interpretes e os funcionarios da DGC) sabia/sabe que a “DG é conflituosa”, por isto... a polémica rebentou” porque “conflituosa” que é, “pediu explicações ao Ministro...” só poderia estar mais uma vez, como era hábito, a faltar o respeito às autoridades, subentenda-se. Logo os relatos de que a DG contestada é conflituosa e desrespeitou mais uma vez o MECF, ... só podem ser verdade. No entanto, importa salientar que há diferença entre supôr que um depoimento seja verdade e verificar se ele corresponde à realidade.

continua ...

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