No continente africano a “palavra” é utilizada para estabelecer consensos. Existe por exemplo “l’arbre à palabre”, (árvore da palavra), na África Central e a “B’andhla” em Moçambique. As pessoas sentam-se debaixo de uma árvore para discutirem assuntos relacionados com a vida da “comunidade” até chegarem a consenso. Os nossos anciãos dizem que em Sao Tomé algo semelhante ocorria no passado. A palavra não era utilizada para fazer intrigas e semear a discordia mas para buscar um consenso nas e entre as famílias. Hoje, a “palavra” está ausente da nossa esfera pública e nos circulos políticos ela é negada a quem de direito. A “palavra” deixa de ser o lugar do politico para ser substituida pela intriga e o consequente linchamento do indíviduo, construindo o caminho para “a caça às bruxas”.
A
DG, foi ouvida por ninguém. Nem membros
do governo nem o jornalista a interpelaram. Os fatos levam a crer que as
autoridades têm muitas dificuldades em ouvir e auscultar opiniões.
Confiam demasiado no cálculo político e, por vezes, esquecem que a sua missão
primária não é fazer o cidadão feliz com as suas próprias realizações, mas sim
garantir as condições da nossa liberdade.
E esta passa pelo nosso direito à razão. Entenda-se aqui, o
direito à razão, como um direito fundamental, que para além da capacidade de discutir segundo as regras da
lógica, constitui um reconhecimento da minha própria pessoa como ponto de
partida de uma opinião – que resulta da minha reflexão – mas também reconhece a
existência de outros como possíveis pontos de partida de outras opiniões também
fruto de reflexão. São o resultado dos espaços de formação de opinião que nos
identifica ao mesmo tempo que nos obriga a reconhecer os outros.
O
jornalista do Télanon ao apregoar a inutilidade de uma atitude crítica e do
diálogo, não está a ser analiticamente perspicaz. Deixando assim transparecer
uma falha no desempenho do seu papel.
Continua
...
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