sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A CAÇA ÀS BRUXAS : Como os rumores fabricam os « bodes expiatórios» (III)



 O mito da “família”

O jornalista refére-se varias vezes ao fato da DG ser prima do PM. Trata-se de uma conclusão fatual.  Verdadeira. A questão que se coloca é de saber qual a relação entre este fato e a demissão da DG? Sera que a DG foi demitida por ser prima do PM?

A vida familiar em STP, conheceu depois de três decadas uma transformação, que a sociedade insiste em não querer ver, persistindo sobre o falso paradigma dos “laços sanguineos”, como evidência o jornalista do Téla-Non.
Sem negar a importância dos fatos, para compreender a evolução recente da estrutura famíliar em STP, é bom saber que a sua sistemática evocação, contribui para escamutear processos sociais mais amplos e  determinantes na estruturação da vida famíliar e consequentemente da sociedade. É o caso do papel jogado pelo partido único, numa primeira fase, na recomposição das famílias sãotomenses e, numa segunda fase, o papel dos partidos políticos no significado mesmo da noção de família. 
O governo atual,  por albergar no seu seio alguns “indepentendes”,  através da sua ação de assistência e de regulação, está construindo a sua propria família. Os partidos políticos através da sua ação  constituem uma família em sentido lato. Por exemplo, os membros de um mesmo partido frequentam os mesmos espaços públicos e privados. É pois comum partilharem momentos importantes em torno de uma refeição ou de uma bebida, conhecerem a família restrita de uns e de outros com quem têm afinidades. Ora, no que toca a Iolanda Trovoada Aguiar, isso não se aplica, pois, em relação a Patrice Trovoada, esse  tipo de laços não existe. Iolanda não conhece a casa de Patrice Trovoada, não convive com a sua família em sentido restrito... Acresce ao fato de ter sido convidada para assumir as funções de DG pelas mãos de alguém fora da família política, família restrita, (marido, esposa e filhos), ou da família em sentido lato, (avós, pais, irmãos, tios, primos, sobrinhos, etc.), do Senhor PM, Patrice Trovoada. 
Por outro lado, aquele que desempenhou as funções de Assessor da DG, (embora, mais tarde, tivesse preferido as funções de Director do Centro de Investigação Social, o que não tem mal algum), também seu primo é. Partilhamos momentos importantes no seio da familia: nascimentos, aniversarios, funerais... Continuando a saga familiar...o atual Coordenador Geral da Cultura, é igualmente  primo da ex-DG...  No seio do MECF outros primos por lá estão...
Note-se que a sociedade são-tomense não foi formada com base na família no sentido estrito de   “filiação ou parentesco”, mas sim no sentido de “propriedade”. As famílias construídas nos terreiros das roças eram  propriedades dos grandes senhores latifundiários. O que não impedia que se construissem famílias restritas consuante os interesses que estivessem em causa. A família está no fundamento da sociedade em STP, não pelos laços de parentesco, mas por relações de interesse e  económicas.
Sendo o MECF,  um dos ditos independentes do XIV governo constitucional, poder-se-ia levantar a hipótese,   da sua necessidade de afirmação face ao PM, promovendo o “linchamento simbólico” da  “Prima DG”.
Parafrazeando, ainda, o jornalista do Téla-non quando escreve “...escorregou no tapete da mudança e caiu”,  poder-se-ia levantar, ainda, uma segunda hipótese, a saber, o  afastamento da DG teria servido,  para desviar a atenção da família político-partidária do PM do seu  tropeço no ” tapete da mudança”, ao pretender candidatar-se a Presidente da Républica. 
Talvez por tudo isto o apelido da DG, - Trovoada – foi eliminado do seu nome completo, no documento oficial - despacho conjunto, assinado pelo PM e MECF, pondo fim à sua comissão de serviço.

continua...

Sem comentários:

Enviar um comentário