Breves considerações sobre a Cultura
A visão
da cultura, da DG, ia forçosamente, ao
encontro da estratégia defenida pelo MECF, cujo objectivo é reforçar a
identidade de STP. Basicamente é
necessário que se compreenda que “a crise na cultura” não está na manifestação
dos músicos, nem no despedimento de A ou B.
Para se
encontrar soluções para a crise da cultura é
necessario primeiro comprender-se dois pontos: O primeiro prende-se com o facto de não existirem culturas
estanques, fixas no tempo e no espaço.
A cultura é um processo que se constroi
nas interações entre o local e o global.
Assim sendo o desafio que se coloca é de
encontrar o justo equilibrio entre a presevação do tradicional
e a incorporação de inovações.
O segundo
prende-se com as politicas culturais adoptadas em São Tomé e Principe. Estas, embora, supostamente, relacionadas com
as transformações políticas e económicas ocorridas ao longo da historia da
jovem República, não foram capazes de as acompanhar. O desafio está pois na compreensão
deste paradoxo e na consequente proposição de
soluções.
As
mudanças políticas e económicas nas ilhas, caracterizam-se pela adopção de uma estratégia neo-liberal
marcada pela passagem da fase socialista
à fase neo-liberal.
Na
primeira República, fase socialista, a influência do Estado na cultura, centrava-se numa tutela forte da criação artistica, orientada
para uma intenção ideologica e propangadista. A título de exemplo eram postos à
disposição dos grupos culturais e do povo em geral transportes que os levavam às praças da cidade, em datas
festivas, como o 1° de Maio, dia internacional do trabalhador e o 30 de
Setembro, dia da reforma agrária. O Estado colocava, assim, à disposição dos
artistas, meios generosos, (roupas, instrumentos), para a sua produção. Em suma a politíca cultural
baseava-se numa intervenção forte do Estado.
Ora na
segunda Republica, a estratégia adoptada pelos politícos são-tomenses baseava-se nos remédios
neo-liberais tradicionais, redução da participação estatal na actividade
económica e a privatização. Enquanto a concepção da cultura assenta num
caracter politico - ideologico, a política cultural adoptada é relacionada com
o projecto de Estado-Nação. Trata-se da ideia segundo a qual compete ao Estado
proteger a cultura como forma de salvaguarda da própria identidade cultural. O
que constitui, de resto, uma função vital do próprio Estado, pois a sua
concepção funda-se na ideia da nação como identidade colectiva. Basta para isto
olhar para os últimos programas do governo
constitucional da República de STP.
Contrariamente
a outros sectores da economia onde há ganhos de produtividade, em relação à
cultura, essa possibilidade é limitada. Não sendo, assim, possível pensar em
ganhos de produtividade, a prazo, sem a introdução de subsidios que levariam ao engrandecimento do sector. Em
STP, ao mesmo tempo que se introduzem medidas de reajustamento económico assiste-se ao agudizar da dependência do país
à ajuda externa, ajuda essa, inicialmente específica e dirigida a projetos de cariz económico e social. Daí que
as dificuldades de se proceder à ajuda pública para a cultura serem
iminentes. Aí reside o paradoxo. Logo,
instala-se a necessidade de se procurar fontes de financiamento alternativas
para a cultura, nem sempre evidentes para os governantes, pois continuava-se a
insistir numa visão politico-ideológica da cultura.
O desafio
imposto pela própria noção de cultura,
pelas condições históricas que nortearam as politicas culturais até
então e pelo imaginário politico cultural, centra-se na mudança de mentalidades
dos “fazedores de cultura” que colocam os interesses individuas acima dos
interesses colectivos, e, na invenção de
uma nova política cultural e uma nova cultura política. Para isto, os
orgãos de comunicação social jogam um papel importante, através da
intensificação de uma informação limpa e
objectiva.
A relação entre a “cultura” e a “comunicação social” é , nos nossos dias,
incontestável. Pois, algumas das
transformações culturais importantes resultam,
das mutações nas redes tecnológicas da comunicação. Estas, afectam a
percepção das culturas locais, da sua propria existência, e do seu papel na construção das identidades, via
construção do espaço virtual. A responsabilidade do jornalista, torna-se, assim, acrescida
atravès do papel embrionário na construção de um novo espaço público e de uma
nova cidadania, pela mobilzação de um grande numero de actores sociais.
Durante
estes sete meses pretendeu-se
básicamente mostrar que com preserverança, dedicação e força de vontade é possivel fazer-se
muito... muito ficou por fazer... um exemplo interessante é que constatou-se
que os defensores da tradição pura e dura, enviam sempre que podem os seus filhos para passarem
as férias em Portugal. Poucos destes jovens conhecem a ilha do Principe. Em
colaboração com uma Organização internacional pretendiamos organizar uma
colónia de férias na ilha do Principe. Por fazer ficaram igualmente uma série
de projetos para o museu, entre os quais a recuperação do próprio edificio...
ficaram ainda por fazer todos os projetos em torno do patrimonio fisico,
natural e intangivel e a ausência do Téla-Non na divulgação dos embriões das
reais mudanças ...
-Fim-
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