sábado, 3 de setembro de 2011

A CAÇA ÀS BRUXAS : Como os rumores fabricam os « bodes expiatórios»(V)


Actividades realizadas pela DGC


Certo os músicos manifestaram-se no dia 9 de Maio de 2011. Entretanto, em alusão ao Dia Internacional dos Museus  - 18 de Maio -  sob o lema “Museus e memória”, entre os dias 14 e 18 de Maio de 2011, uma série de actividades teve lugar: actuaram cerca de 10 grupos culturais, com maior
 incidência para as práticas em extinção como o Plomon Déçu;  jogo de cacete, Quinà;  Ússua,  entre outras. 

A banda militar, interpretou um troço de música clássica em homenagem ao compositor São-tomense Viana da Mota. Cinco conferências tiveram lugar, com base nas diferentes salas do museu: arte sacra e memória, ministrada pelo Sr. Padre Miguel, Música e memória ministrada por três gerações de músicos: Zé Aragão; Antonio Leite e Juvenal Rodrigues filho (ao qual assistiram alguns dos músicos que manifestaram-se contra a DG. Esta conferência foi tão bem sucedida que continuou no dia seguinte); Roças e memórias: STP, plantas e povos origens e consequências, por Iolanda Aguiar e Museus e memórias ministrada por antigos e actuais funcionários do Museu Nacional; 

nomedamente Armindo Aguiar ex- Director Geral da Cultura; Cerineu de Barros o mais antigo funcionário do museu e Djajingo Neto, técnico de conservação. Note-se que pela primeira vez neste género de eventos os conferencistas receberam um subsidio, sob forma de estimulo ao trabalho intelectual. Para além disto houve visitas guiadas para os alunos de 4 escolas primárias com particular incidência para duas escolas longínquas: Roça Anselmo Andrade e Capela. 


Os alunos tiveram a oportunidade de participar nas oficinas de som, onde um sobrevivente do massacre de 1953 os ensinara a fabricar e tocar  instrumentos de corda, tocar flautas e instrumentos de percursão. Todas estas ações foram realizadas com fundos extra – Orçamento Geral do Estado, angariados pela DG. As conferências foram tão ricas que se  pretendia fazer uma publicação. Portanto, não deixa de ser estranho que se refira ainda  à equipa da DG como inexperiente e incapaz de organizar o desfile do 12 de Julho. Aliàs, dá-se ao grande público a possibilidade de  comparar a organização do desfile feito pela  DGC  na cerimonia oficial do 12 de Julho e a cerimonia oficial do 3 de Fevereiro. Para além da Cerimónia oficial a DG dirigindo uma equipa de jovens voluntários, pela primeira vez


colocou os sobreviventes do 3 de Fevereiro no centro das comemorações, dando visibilidade às condições precárias em que vivem alguns deles. Levou os alunos das escolas primárias para ver como viviam os nossos sobreviventes. Deu-lhes a palavra e organizou um almoço em sua homenagem. Uma musica foi especialmente composta para os sobreiventes pelo compositor e cantor Nilo Jaleco. Nos claustros do Museu Nacional, foram, igualmente  homenageados com um concerto oferecido pelos coros de diferentes igrejas, a saber: Maná, Nova Apostolica e Evangéliga. Um dos pontos altos foi a conferência proferida pelo historiador  Carlos Neves, intitulada a “A Guerra  Ideologica  do massacre 53” em presença dos sobreviventes e mediada pela jornalista São Deus Lima. Nenhuma referência a tudo isto pôde-se ler no seu Jornal. Dois meses depois do afastamento da DG dirija-se às comunidades onde tal aconteceu e colha informações sobre a ex-DG. Colha informações junto aos, motoristas, aos artesãos, aos músicos, alguns dos quais foi-lhes dito que a DG demitiu-se, outros que nem sequer sabiam que haviam mudado a Direção.
4 de Janeiro de 2011 a sala do museu repleta esteve, (houve pessoas assentadas nas escadas), para assistirem à conferencia sobre Rei Amador,

proferida por três jovens recém formados, em Cuba (dois sociólogos e um jurista), sob orientação da então DG.  Uma inovação foi introduzida, pela primeira vez em STP, brindou-se com um vinho da Palma de Honra, em substituição do tradicional Porto de Honra, herança colonial.


 Serviu-se, com todo o cerimonial, um Vinho da Palma doce, da Região de Batepá acompanhado de produtos nacionais, como a cola e o gengibre,  para degustação. Nem uma referência no jornal da “nossa terra” (Téla-Non).
26 de Novembro de 2010 dia aniversário do Acordo de Argel, a Casa da Cultura abriu as suas portas para um sarau cultural sui géneris, apresentado pela jornalista São Deus Lima, com concurso alusivo ao dito acordo  e oferta de livros.  Nada no Téla-Non.



Relativamente ao Museu Nacional, importa assinalar que desde Janeiro de 2011 vinha conhecendo um aumento gradual do número de visitas.  Assim, em periodos iguais deste e do ano passado, as entradas evoluiram da seguinte forma:

 Janeiro – Maio de 2010 : 560 nacionais e 634 estrangeiros;
Janeiro – Maio de 2011: 1477 nacionais e 782 estrangeiros.

Durante os 5 dias relativos às comemorações do Dia Internacional dos Museus, fato inédito no país, a média de visitantes por dia foi de 103,6 pessoas.  Note-se que a média anual no ano transato foi de 7,1 pessoas por dia.  

No que concerne ao reforço institucional da DGC, três jovens técnicos foram contratados.  Sendo uma jovem licenciada em Direito, para se ocupar da propriedade intelectual (literária e artística); um jovem sociólogo que se ocuparia de questões relacionadas com o património e um jovem gestor e músico para reforçar o já existente departamento de promoção artística.

No plano internacional a partcipação da DG foi marcante, com apenas duas missões, uma em Dezembro de 2010 e outra em finais de Maio de 2011. Ao regressar da missão a Porto Novo, Benin, a DG foi portadora de uma carta  parabenizando o Senhor MECF, entre outros fatos, pela distinta prestação  da DG. Em relação à primeira missão outras proposições importantes de trabalho são de assinalar. Verbas tiveram que ser  devolvidas... e outras perdidas... pela interrupção abrupta dos projetos.

As obras realizadas neste curto espaço de tempo falam por si... mas para mim o mais gratificante foi ter instituido as tardes de reflexão, lugar onde  os jovens quadros estudavam os dossiers e partilhavam as experiências adquiridas em missões ao exterior.

Nada disto foi referenciado no Téla-Non... Utilizar o potencial crítico da experiência estética para iluminar as verdades comunicativas, seria uma ajuda indeniável para melhor poder cumprir com o seu trabalho... Uma analise imparcial e mais profunda teria um papel de proeminente relevância para a preservação, valorização e divulgação do patrimonio cultural sob todas as suas vertentes.

continua...

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